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exposição fio

Organizei a exposição FIO na CASA SINLOGO com o propósito de aproximar artistas que trabalham com as mãos usando fio como suporte de trabalho. As obras presentes na exposição manifestam novas formas de olhar e pensar o trabalho manual, resignificando-o em uma época na qual rapidez e tempo viraram sinônimo. Este tempo de produzir manualmente segue na contramão como uma resistência.

“Uma tentativa não é um projeto, não é uma instituição, não é um programa, não é uma doutrina, não é uma utopia – mas uma tentativa, frágil e persistente como um cogumelo no reino vegetal, esquiva as ideologias, os imperativos morais, as normas. Uma tentativa só sobrevive se não se fixar num objetivo, mesmo quando inevitavelmente é chamado a realiza-lo”.  F. Deligny (1976).

Para o que ou para quem essas mulheres tricotam, crochetam, costuram Com suas agulhas, fios e linhas tecem suas redes, tramas, urdiduras e inevitavelmente são convocadas a responder à pergunta-símbolo de um tipo de mundo que privilegia o objetivo, o “lugar a chegar”, o sucesso a alcançar.

Pegando um atalho pelo trecho do Deligny citado acima, talvez seja o caso de nunca responder pergunta alguma. Antes, esquivar-se o máximo possível, mesmo que fazendo  outras perguntas:  o que pode uma tentativa, de quais forças é geradora, ainda que em pequenos gestos e ações – dessas mulheres – que, no cotidiano, fabricam tentativas de dissipar o mal-estar– das reduções de potência da vida, das baixas de vitalidade, do sujeito depauperado e esgarçado.

No gesto mímico de tricotar, bordar, costurar, crochetar aprendido de tias, avós, mães, amigas ou, diria ainda, nesse gesto mínimo e molecular, criar fendas no tempo cronológico, inventar experiências de escapes, zonas autônomas – talvez seja a isso que essas mulheres e seus instrumentos se dirigem e se dedicam. Dando materialidade a pedaços e singularidades, pequenos lampejos de gestos que, no conjunto, desenham “zonas ou redes de sobrevivência”. 

Karlla Girotto

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sunday - intervenção urbana